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quarta-feira, 24 de março de 2021

Famílias vivem pandemia com medo da doença e da fome na PB: 'alguém precisa ouvir os pobres'

 

Maria José está desempregada e sobrevivendo com doações — Foto: Reprodução/TV Cabo Branco

Fome sempre existiu, mas nos últimos tempos, difíceis também para a economia, ela está mostrando sua face mais sombria.

Além do medo da Covid-19, algumas famílias da Paraíba têm que viver a pandemia também com medo da fome. Uma dessas famílias é a de Maria José, de 45 anos. A geladeira vazia deixa sair apenas o ar frio das prateleiras sem nenhum produto. E não é raro que os olhos de Zeza clamem para ver uma cena diferente.

Às oito horas da manhã, o que Zeza tem no fogão é apenas o mingau das duas netas pequenas. Naquele dia, só as duas tomaram café da manhã. As outras seis pessoas da família esperam a fome passar e forrar o estômago com a esperança de conseguirem, de alguma forma, almoçar. Ou se alimentar de alguma forma. "Alguém precisa ouvir os pobres. Porque não é fácil a gente estar desempregado e sentir que não tem alimento para dar aos seus filhos", desabafa Zeza.

Ela fazia várias faxinas por semana antes da pandemia e, assim, conseguia sustentar a família, sozinha, mas com o mínimo de dignidade. O auxílio emergencial do ano passado foi fundamental para todos terem o que comer. Mas ele acabou e o sofrimento diário é uma realidade que só ameniza com a caridade de quem se importa com o próximo.

"Agradeço muito quando as pessoas doam. Entrego a Deus, que ele multiplique, porque não só eu preciso. Quando passa uma pessoa pedindo, por mais que eu tenho ganhado, dá para dividir. Ajudo com carinho, porque a situação que eu estou passando, quem sabe se a do próximo não é pior que a minha?", conta dona Zeza.

Em muitas partes, famílias diferentes, mas unidas por um mesmo drama, o de não poder oferecer o básico para os filhos. O que é tão comum e até sobra em tantas mesas, nesses lugares é como se fosse um luxo.

Ana Emília também vive em dificuldades durante a pandemia — Foto: Reprodução/TV Cabo Branco

Ana Emília também vive em dificuldades durante a pandemia — Foto: Reprodução/TV Cabo Branco

Ana Emília vive a mesma situação. Tem um filho de 22 anos que é acamado e há quatro anos sofreu um acidente de moto que deixou sequelas graves. Ele precisa da presença da mãe ou do pai o dia inteiro. Gabriel recebe um salário mínimo de benefício e essa é a única renda para muitas necessidades do jovens e também para sustentar a família.

Tanto Ana quanto o marido, Eduardo, ficaram desempregados na pandemia. E também é com a ajuda de outras pessoas que consegue alimentar a família.

"Faz dois meses que não vem fralda pela Prefeitura. Ele também é paciente convulsivo e precisa tomar medicação. Quando tem doação, ótimo, quando não, eu tenho que comprar", revela.

E como dizer a uma criança que ela não vai ter um pedido tão inocente atendido? Principalmente se é uma comida simples, que não deveria faltar para ninguém?

"Ela gosta muito de pão com mortadela. Às vezes ela pede e eu peço a Deus. De repente chega uma pessoa, dá alguma coisa, eu corro na padaria", conta Ana Emília. Semana que vem não sabem qual será a situação de alimentação da família. "Eu vivo hoje", diz Eduardo.

A fome sempre existiu, mas nos últimos tempos, difíceis também para a economia, ela está mostrando sua face mais sombria.

Em relação à insegurança alimentar, os domicílios podem ser classificados em três níveis, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE): leve, moderado e grave.

Um domicílio é classificado com insegurança leve quando aparece preocupação com acesso aos alimentos no futuro e a qualidade da alimentação já está comprometida. Nesse contexto, os moradores já assumem estratégias para manter uma quantidade mínima de alimentos disponíveis. Trocar um alimento por outro que esteja mais barato, por exemplo. No segundo nível, de insegurança moderada, os moradores já têm uma quantidade restrita de alimentos. A insegurança grave aparece quando os moradores passaram por privação severa no consumo de alimentos, podendo chegar à fome.

De acordo com essa classificação, à medida que aumentam os níveis de severidade da insegurança alimentar, a participação percentual das despesas com alimentação também vai crescendo. Nos lares em que há segurança alimentar, o percentual mensal das despesas com alimentos é de 16,3% em relação ao resto das despesas de consumo. Já nos domicílios com insegurança grave, esse percentual é de 23,4%.

Enquanto reinam as narrativas políticas e a falta de políticas públicas definitivas contra a fome não chegam, há outro sentimento que une tantas dessas famílias: a esperança. É ela que alimenta cada coração e não pode falar neste momento.

"Não é orgulho. Mas vou viver o resto da minha vida pedindo às pessoas?", desabafa Ana Emília. "Trabalhei a minha vida toda, tinha minhas coisas. Hoje não consigo trabalhar por conta dessa situação, mas a gente tem que levantar a cabeça", completa Eduardo.

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Por Plínio Almeida, TV Cabo Branco

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